sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

CAPÍTULO 03: VOVÓ YORDANKA (Terceira Parte).


Yordanka, no entanto, não se deixou contaminar pela repentina euforia da neta. Disse:

"Acalme-se, querida.” - pediu, encarando-a com serenidade. - “Se continuar me puxando assim, vai arrancar o meu braço. Sua mamãe não está em casa.” - revelou.

"Vamos, vovó!” - insistiu, a menina, que pareceu não tê-la ouvido.

“Sinto muito, Klara.” - lamentou, Yordanka, firmemente. E repetiu. - “A mamãe não está em casa.”

“Ela não está em casa?”

“Não, querida.”

Ouvir tal resposta foi como se toda a alegria que sentia, feito uma avalanche de pedras, devastasse o peito da menina.

“Por que não?” - perguntou.

Mesmo tão pequena e ingênua, Klara não encontrava fim às suas perguntas. Era incansavelmente curiosa.

“Aonde ela foi?”

“Infelizmente, eu não sei.” - respondeu, Yordanka, tranquilizando-a. - “Mas não precisa ficar triste, prometo que vamos achá-la.”

“Está bem.” - a pequena búlgara concordou.

“Promete para a vovó que não vai ficar triste?”

“Prometo.” - Klara respondeu.

Voltou a segurar a mão da neta e continuaram, então, a caminhada. Mas Klara não demorou a fazer outra pergunta:

“Onde a gente está, vovó?”

“Estamos no parque Lipnik.” - respondeu, Yordanka, que, ligeiramente intrigada com a pergunta, quis saber. - “Não gostou do parque, querida?”

“Gostei, vovó.” - Klara respondeu, acrescentando. - “É muito bonito.”

“Bonito?” - Yordanka fingiu surpresa.

“Sim, vovó, o parque é muito bonito.” - assegurou, a menina.

“Fico feliz em ouvir isso.” - Yordanka sorriu, absolutamente contente ao ver a alegria fazer brilhar os olhos da neta. Revelou ainda. - “A vovó mora no parque.”

“No parque?”

“Sim, querida.” - confirmou, Yordanka, parecendo achar graça na curiosidade da menina.

Sem esconder a surpresa, a menina de Gabrovo imaginou como seria possível viver naquele parque, um lugar onde só os animais selvagens pareciam se sentir em casa. Imaginou-se dando boa noite às árvores antes de dormir e acordando coberta pelas folhas que não paravam de cair das árvores. Sentada em uma pedra, como se fosse a cadeira, diante de outra maior, como se fosse a mesa, imaginou-se almoçando e jantando flores, frutas e galhos secos que colhia do chão. Mas, entre as inúmeras coisas que lhe veio à mente, o que mais a intrigou foi pensar ter como únicos amigos os muitos animais esquisitos que imaginou existir naquela mata.

“Por que a mamãe nunca disse que a vovó morava em um parque?” - perguntou-se, Klara, pensativa, ao mesmo tempo que olhava ao redor.


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quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

CAPÍTULO 03: VOVÓ YORDANKA (Segunda Parte).


“Você é a minha vovó?” - perguntou.

“Sim, querida, sou sua vovó.” - respondeu, Yordanka, que, logo em seguida, perguntou. - “Dormiu bem?”

Lembrar-se das fotos também fez Klara se lembrar de Liza. Invés de responder à avó, a menina perguntou:

“Aonde ela foi?”

“Ela?” - intrigada, Yordanka perguntou de volta. - “De quem está falando?”

“Da minha mamãe.” - respondeu, Klara, em tom triste.

“Não precisa ficar triste, minha querida.” - Yordanka se apressou em consolar a neta. - “Eu não sei onde a mamãe está, mas podemos procurá-la.” - disse, penteando os cabelos da menina com os dedos. - “Vamos procurá-la juntas, o que acha?” - concluiu, prestativa.

“Está bem.” - Klara aceitou.

A velha e a menina puseram-se, então, a caminhar. Saíram da clareira e se embrenharam na vegetação fechada do parque que as rodeava.

“Está com fome?” - quis saber, Yordanka, enquanto caminhavam.

A menina respondeu que sim, acenando com a cabeça. Sentiu a barriga roncar de fome.

“Ótimo!” - exclamou, a velha, que arrancou um sorriso da menina ao dizer com entusiasmo. - “Eu também estou com fome, ou melhor, com muita fome, muita fome mesmo!”

“Aonde a gente vai, vovó?”

“Vamos para um lugar onde a gente pode procurar coisas gostosas para comer.” - respondeu, Yordanka.

Conforme caminhava, além de ouvir o cantar dos pássaros e os ruídos instigantes da mata, Klara também podia ouvir as águas do imponente rio Danúbio seguindo seu curso. Ouvia-o claramente apesar dele correr há uma certa distância de onde a menina estava.

Desde o exato momento em que abriu os olhos, seus sentidos encontravam-se apurados de maneira espantosa. Sentia-se mais espírito do que corpo e mais viva, apesar de morta. Contudo, também se lembrava de sua mãe, e, de repente, enquanto caminhava de mãos dadas com a avó, ao lembrar-se de sua própria casa e de alguns dos raros momentos felizes que viveu lá, parou, dizendo:

“Espera, vovó!”

“O que foi, querida?” - perguntou, Yordanka, encarando a menina com surpresa.

“Eu sei onde a minha mamãe está, vovó!” - Klara respondeu, eufórica, puxando-a, pelo braço, para retornarem à clareira. - “Vamos voltar, ela está em casa!” - pediu.

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quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

CAPÍTULO 03: VOVÓ YORDANKA (Primeira Parte).


Klara acordou numa clareira, no meio da mata, num dia absolutamente luminoso. Um clima bem diferente daquele que conhecia. Todo o mau havia passado e seus pulmõezinhos estavam livres da peste cinzenta. Estava curada. Deitada de barriga para cima, a primeira coisa que viu encheu-lhe os olhos. Viu um céu exuberante e profundo, de uma tonalidade azul-turquesa que se intensificava nos horizontes, sem qualquer resquício que a lembrasse daquele céu nublado de Gabrovo. Antes, enquanto ainda dormia, um passarinho tentava fazer ninho em seus cabelos.

“Onde eu estou?” - perguntou-se, a pequena búlgara, que se sentou e espantou o passarinho de seus cabelos. - “Estou sozinha.” - pensou, olhando em volta.

Procurou por sua mãe, mas não viu ninguém. Levantou-se repentinamente apavorada, com medo da mata, e só se acalmou quando ouviu:

“Dormiu bem, querida?”

Nunca esteve sozinha. Apesar do clima ensolarado, uma velha, que vestia um casaco verde de lã por cima de um vestido pesado, que em nada combinava com o clima agradável, a observava próxima de uma árvore.

Sem resposta da menina, a velha se aproximou, refazendo a pergunta:

“Dormiu bem, minha querida?” - a voz soou amorosamente.

“Sim.” - Klara respondeu em tom baixo.

O pouco de medo e pavor que a menina sentiu ao se ver sozinha foram se dissipando. Mas, mesmo quando se aproximou e a pequena pôde vê-la melhor, Klara não reconheceu a velha, que, então, se apresentou:

“Desculpe a minha distração.” - disse. - “Esqueci que ainda não fomos apresentadas. Sou sua vovó, Yordanka.”

Ainda assim, Yordanka não representava nada além de uma pessoa desconhecida para Klara. Inexpressiva, a pequena se limitou a encará-la.

“Isso mesmo, sou sua vovó!” - exclamou, sem se preocupar com a estranheza da menina. - “Sou a mamãe de Liza. Você é minha netinha.”

Havia uma razão para não reconhecê-la. Klara conhecia a avó apenas através das fotos que sua mãe lhe mostrara, e Yordanka, por sua vez, também nunca a havia visto pessoalmente. E sabia que não estava enganada.

“Não faz ideia do quanto eu esperei para te conhecer, minha querida.” - disse à menina. Com os braços abertos, perguntou. - “Não vou ganhar um abraço da minha netinha?”

Klara a abraçou, porém, ainda não se lembrava dela até que recordou-se das fotos e, enfim, a reconheceu.



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sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

A Menina de Gabrovo: Segunda Parte do Capítulo "Mau Agouro".


Parecia um lobo faminto encarando a presa. O modo cínico como o viajante a observava causou repulsa em Liza.

“Somos novos por aqui e estamos perdidos.” - explicou, o viajante, que não perdeu tempo e foi logo perguntando. - “Pode nos dar uma informação?”

Em resposta, Liza não disse nada. Apenas acenou que sim.

“Essa cidade é, realmente, muito bonita.” - disse, o viajante, com sarcasmo. - “Onde a gente está?” - perguntou para Liza, ao mesmo tempo que sorriu para o companheiro, divertindo-se com o medo que ela se esforçava para não transparecer.

“Em Gabrovo.” - respondeu, Liza, quase sem voz.

“Desculpe, mas a gente não ouviu.”

Ele foi se aproximando dela, seguido, de perto, pelo outro viajante.

“Gabrovo!” - Liza respondeu, só que dessa vez em voz alta.

Ao vê-los se aproximarem vagarosamente, Liza pensou em correr para dentro da casa e trancar-se no quarto junto com a filha para, assim, protegê-la a todo custo. - “Eles são mais rápidos do que eu.” - pensou e se perguntou, convencendo-se de que tivera uma péssima ideia. - “Que chances eu poderia ter? Vão me alcançar antes mesmo de eu atravessar a porta. Não se desespere, Liza.” - obrigou-se a ficar tranquila. - “Não seja tão estúpida de levar o perigo para dentro de casa.”

Foi, então, que os viajantes sorriram, revelando o que queriam de verdade.

O homem, que a havia cumprimentado, dizendo serem novos na cidade, se revelou o mais cruel. Enquanto o companheiro, pelas costas, a segurava e beijava-lhe os cabelos, ele derrubou Liza no chão, depois de um forte soco no estômago, e deitou encima dela.

“Por favor, vão embora!” - gritou, a jovem mãe, que implorava para que fossem logo embora e, assim, não entrassem na casa. - “Por favor, me deixem em paz!”

Qualquer violência que eles empunhassem contra ela seria o menor dos males desde que Klara estivesse protegida.

“Cale-se, sua vadia barata!” - respondeu, o viajante, pressionando-a, com o próprio corpo, contra o chão.

Como que por uma intervenção divina, após saciarem suas respectivas perversidades, as súplicas de Liza foram atendidas no momento em que ouviu-se uma conversa distante, e que parecia se aproximar, de um grupo de amigos que caçavam na mata. Os dois viajantes se levantaram do chão, correram para o carro e, temendo serem flagrados, se apressaram em fugir. Mesmo dolorida, fraca e severamente humilhada, Liza encontrou forças e se colocou em pé. Andou, cambaleando, até a casa e foi direto para o quarto da filha, onde toda a esperança do mundo pareceu se esvair no momento em que se aproximou da cama. Ao colocar as mãos sobre a filha, sentiu que o rostinho da menina estava frio.

Klara já não respirava mais. Estava morta.


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quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

A Menina de Gabrovo: Primeira Parte do Capítulo "Mau Agouro".


Liza precisou se afastar da filha e respirar ar puro para se recompor da tristeza que a abateu. Apesar de mostrar-se forte, sentia que a perdia para a peste cinzenta.

“Meu Deus, quando esse pesadelo vai acabar?” - perguntou, com os braços estendidos em direção ao céu nublado.

Klara, nesse meio tempo, pouco conseguiu dormir. A dor que sentia por tentar encher seus pulmõezinhos de ar era implacável e a manteve acordada durante todo o tempo. Da janela do quarto, podia-se ver uma montanha, que, embora quase toda coberta de neve, era tão imponente quanto a montanha que Liza havia descrito na história que contara, e podia-se também ouvir o ruído das águas do rio Yantra, parcialmente congelado. Mãe e filha moravam, sozinhas, num sobrado, cujas as paredes eram brancas e as janelas eram feitas com um tipo de madeira escura. A casa parecia ser grande demais para somente duas pessoas viverem nela e era cercada por um extenso gramado. Não tinha muros, tampouco portão que a protegesse da cobiça externa.

Liza, ao deixar o quarto da filha, atravessou o gramado, caminhou até a margem do rio e, caindo de joelhos no chão, olhou fixamente para as águas verdes-escuros. O Yantra, de algum modo, parecia confortá-la.

“Por favor, devolva-lhe a vida!” - pensando na filha, abriu o peito para a correnteza e clamou ao rio.

Não admitia a ideia de perder a única coisa que lhe importava na vida. A cada segundo que passava, morria lentamente ao se dar conta que a estava perdendo para a tuberculose. Diante disso, ofereceu a própria vida em troca da cura de Klara.

Leve-me se quiser, mas não permita que ela morra!”

Sua oferta sequer foi ouvida. Ainda debruçada na margem do rio, Liza sentiu, aquecendo lhe o rosto, um chiado soprar morno. Era um presságio de mau agouro se aproximando. Imediatamente, começou a ouvir o ronco de um motor e sentiu muito medo.

“Não se desespere, Liza.” - aconselhou a si própria. - “Klara está dormindo no quarto, portanto, trate de ser forte e não leve o perigo para dentro de casa.”

O ronco do carro só se intensificava na medida em que o mau agouro se aproximava.

Moravam cercadas por uma mata densa e seu vizinho mais próximo provavelmente chegaria tarde demais caso a ouvisse gritando por socorro. A jovem mãe búlgara, então, se levantou, mas não saiu do lugar. Estava absolutamente certa em relação ao perigo que ela e a filha corriam.

Dois viajantes, a bordo de um Benz Patent Motorwagen, vinham, esganiçados, distribuindo terror pelo leito do rio, e, assim que viram Liza, pararam imediatamente.

Bom dia, senhorita.” - um deles a cumprimentou.


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domingo, 18 de dezembro de 2016

A Menina de Gabrovo: Terceira Parte do Capítulo "O Dilema de Klara".


Se Liza podia ser considerada uma sólida e intransponível fortaleza, a menina, por sua vez, também era um oceano de doçura e persistência, cuja as ondas têm o poder de penetrar quaisquer muralhas.

Liza não resistiu ao sorriso de Klara. Perguntou:

"Qual história você quer?"

"Aquela da montanha." - respondeu, a menina, antes de um acesso de tosse. Conhecia a história, mas pouco se lembrava dela. - "Mamãe, o que eles eram mesmo?" - perguntou, referindo-se aos personagens da história.

"Ciganos." - respondeu, Liza. - "Eles eram anjos ciganos."

"E existem anjos ciganos, mamãe?"

"Sim, minha princesa." - respondeu à menina. - "Eles existem."

Deitou-se, então, ao lado da filha e, penteando com os dedos seus cabelos encaracolados, começou a contar a história:

"Havia uma montanha majestosamente cheia de vida. Ela era tão grande e tinha tantas árvores que só se podia vê-la, por inteiro, de muito longe." - imediatamente após começar a contar a história, Klara fechou os olhos e foi imaginando a montanha, os anjos, as árvores e tudo o mais que julgava caber nela. Com os olhos fechados e o coração totalmente aberto, a menina de Gabrovo viu-se saudável, livre da peste cinzenta que a fazia sofrer, e o ar preenchia seus pulmõezinhos com incrível facilidade. - "Dizem que a montanha foi nos oferecida por Deus em resposta à bondade dos homens." - Liza prosseguiu. - "No alto dela, bem perto do céu, os anjos ergueram um acampamento e não havia um só dia em que os anjos não dessem banquetes e não festejassem a vida..."

"E Deus?" - ainda com os olhos fechados, a pequena interrompeu a história.

Sem entender a pergunta, Liza a encarou.

"O que tem, Ele?"

"Deus também mora, com os anjos, na montanha?" - perguntou, Klara.

"Deus vivendo num acampamento!" - a jovem mãe exclamou e fez uma careta, arregalando os olhos. - "Sim, querida." - respondeu, levantando-se da cama. Logo em seguida, antes de voltar a deixar o quarto, beijou a filha no rosto e perguntou. - "Onde mais Ele moraria, senão com os anjos?"

Klara, logo em seguida, se apressou em pedir:

"Mamãe, me conta outra história."

"Sinto muito, mas já chega de histórias." - firmemente, Liza negou o pedido, explicando. - "Tenho muito serviço para fazer na cozinha e você precisa descansar."

A jovem mãe deixou o quarto e Klara, então, em meio aos acessos de tosse que a afligia, fechou os olhos e forçou-se a dormir.

sábado, 17 de dezembro de 2016

Aventura Literária: resenha do conto "O Iluminado às favas.".


Olá pessoal !!! Dessa vez vim compartilhar com vocês o comentário sobre o Conto "O Iluminado às favas" do autor Roberto Camilotti, publicado no seu Blog. Clique AQUI para ver o post original com o Conto. Gostei da ideia do autor de poder fazer um comentário e divulgar seu trabalho. Roberto é de São Paulo e compartilha no seu blog textos pessoais e resenhas de livros. Espero que vocês gostem de conhecer e possam estar também acompanhando suas produções.

O Conto traz como personagens centrais, Desidério, um angolano que vive nas ruas do Rio de Janeiro, que veio para o país em busca de melhores condições de vida mas não teve oportunidades. Enquanto que Paciência é um extraterrestre que veio de um Planeta há duzentos bilhões de anos-luz da Terra. Uma determinada noite Paciência resolve se aventurar na Terra viajando na velocidade da luz, encontro Desidério, que a princípio sente medo mas decide ficar escutar o que Paciência tem a dizer.

Os dois estabelecem contato e passam conversar sobre suas vidas e sentimentos. Desidério relembra momentos vividos ainda em Angola, momentos que ele vê agora que era felizes, se sente nostálgico, e acredita ele estar fadado ao insucesso. Apesar de sentir saudades, não vê mais esperanças de dias melhores. Enquanto que paciência, um viajante do universo, se encanta em conhecer novos lugares, mas que precisa retornar a seu Planeta para continuar com suas missões. Seu Planeta está em guerra... O ILUMINADO ÀS FAVAS | AUTOR: ROBERTO CAMILOTTI | COMENTÁRIO E DIVULGAÇÃO.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Myself here: resenha "Magricela, Revanche e os meninos da rua".


Manifestos da Infância: Magricela, Revanche e os meninos da rua, é a primeira história de uma série infantil que Roberto Camilotti está escrevendo e publicando em seu blog (LINK). A série está disponível gratuitamente no blog para que todos possamos ler.  
Na primeira da série, somos apresentados a Magricela, uma cachorra vira-lata que adorava correr atrás da bola de futebol dos meninos da rua enquanto eles jogavam e eles achando graça nisso tudo prometia um pedaço de carne a ela se ela conseguisse pegar a bola, mas já que era muito fraquinha e magra, quase nunca conseguia pegar. Só de ler o início do conto já fiquei morrendo de dó da cadelinha... Myself here.: resenha "Magricela, Revanche e os meninos da rua".

Pétalas de Liberdade: resenha "Urso antes e depois do Homem".


Em "Urso antes e depois do Homem" conheceremos um urso, um animal que, de repente, começa a pensar e a falar! Ao longo da leitura, veremos o que o fato de ter voz e pensamento acarretará em sua vida e na sua relação com os outros animais, além de descobrirmos como isso aconteceu.
O Roberto, que também é autor do livro "A menina do Gabrovo", escreve muito bem, faz um bom uso das palavras. Ele criou uma história interessante, que cativa o leitor e faz com que ele fique curioso pra saber para onde caminhará a trama do urso falante... Pétalas de Liberdade | Livros, resenhas literárias, música e muito mais.: Resenha: conto "Urso antes e depois do Homem"

Resenha do Conto O Iluminado às favas (Um olhar de Estrangeiro).


Hoje, dia que estou escrevendo essa resenha, recebi um e-mail do autor Roberto Camilotti. Ele também tem um blog (Roberto Camilotti), que ele posta seus contos lá. E ele me perguntou se não gostaria de ler um deles e resenhar para vocês. E nós, do "Um Olhar de Estrangeiro", sempre estamos dispostas a ler livros e contos de autores nacionais - desde que nos interesse. Somos grandes incentivadoras da nossa literatura e queremos sempre descobrir histórias novas, que possam nos surpreender e nos conquistar.
E hoje a resenha é do conto "O Iluminado Às Favas". Como o próprio autor me disse no e-mail, ele se trata de uma conversa, um encontro entre um extraterrestre - Paciência - e um mendigo angolano - Desidério - que hoje "vive" no Rio de Janeiro... Um Olhar de Estrangeiro: Conto: O Iluminado Às Favas:

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

A Menina de Gabrovo: Segunda Parte do Capítulo "O Dilema de Klara".


Os passarinhos, em resposta, piaram com ternura, arrancando um sorriso da menina, que, pouco tempo depois, voltou a chamar:

"Mamãe!"

"Sim, querida." - preocupada, Liza retornou apressadamente. E perguntou. - "O que houve?"

"Por que Deus é tão mau com a gente, mamãe?"

A pergunta fez Liza estremecer de dor.

"Minha filha, sei que o seu sofrimento não é algo que eu possa abrandar ou até mesmo ignorar." - disse, ela, convicta da bondade de Deus. - "Me lembro de ter dito para você descansar. Vamos, feche os olhos e descanse." - voltou a pedir. - "Por acaso não está duvidando da bondade de Deus, está?" - perguntou, com ligeira incredulidade no que acabara de ouvir. Por fim, Liza respirou fundo e sorriu, limitando-se a responder a pergunta. - "Escute atentamente o que eu vou lhe dizer: questionar Deus não é um bom começo para entender o que ele quer da gente." - acarinhou no rosto da filha.

Sua religiosidade parecia ainda mais inabalável nas horas de maior sofrimento. Somente parecia, porque Liza não se mostrava pronta para aceitar o sofrimento de Klara de qualquer outra forma se não por uma mera provação divina, um período de dificuldade; dificuldade, essa, que era uma só entre as muitas que ela atravessaria ao longo da vida e da qual sempre estaria ao lado dela para confortá-la.

"Tenha fé."

Com a certeza de que não havia sentido algum para tal pergunta, a jovem mãe, então, bufou e se curvou sobre a cama."

"Tudo vai passar." - disse, beijando-a na testa, e, mais uma vez, pediu. - "Agora descanse, meu anjo."

Klara não protestou, fechou os olhos. Porém, antes mesmo que Liza chegasse na porta do quarto e voltasse aos seus afazeres, pediu:

"Me conta uma história."

"Uma história, mas o dia nem amanheceu." - Liza virou-se para a filha, estreitando os olhos. - "As melhores histórias só são contadas de noite para a gente ter bons sonhos." - disse amorosamente, em tom de fantasia.

"Por favor." - com a voz rouca, Klara insistiu.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

A Menina de Gabrovo: Primeira Parte do Capítulo "O Dilema de Klara".


"Por que Deus é tão mau com a gente, mamãe?" - quis saber, assim que acordou, uma menina de cinco anos, após outra noite de febre alta e sucessivas crises de tosse.

O nome dela era Klara. Mesmo tão nova, Klara conhecia muito bem o gosto amargo que uma vida infeliz pode ter. Doente, não tinha forças para se levantar da cama, nem sair do quarto, e tampouco conseguia se animar para brincar com as amigas das quais não via há um bom tempo.

"Bom dia, minha princesa." - respondeu, Liza, à filha, cumprimentando-a enquanto dobrava algumas peças de roupa que havia acabado de recolher do varal. A jovem e dedicada mãe fingiu não ter ouvido a pergunta da menina. Pacientemente, antes de deixar o quarto, pediu. - "Descanse mais um pouco, por favor. Sim?"

Do lado de fora do quarto, no céu da Bulgária via-se um tom doente, frio e cinzento, assim como o restante da paisagem de Gabrovo que não aparentava ser mais saudável do que a menina. A natureza, no entanto, mesmo severamente maltratada pelo clima frio do inverno, consegue ser generosa.

No momento em que Liza deixou o quarto, sete passarinhos, cada um de uma cor diferente, pousaram na janela e fizeram, por um mísero instante, os olhos esfumaçados de Klara encherem-se de vida ao vê-los.

"Bom dia, passarinhos." - em voz quase inaudível, ela os cumprimentou.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Manifestos da Infância: Aninha, Dona Fada e os Sapatinhos de Brilhantes.


Dona Fada já preparava o café da manhã para a filha antes que os primeiros raios do Sol atravessassem a janela do quarto. Carinhosa, mostrou capricho no modo com que decorou os bolinhos com minúsculos confeitos coloridos e creme de chocolate, e igualmente foi sua dedicação ao picar um punhado de frutas, selecionando-as uma por uma, para fazer a mais colorida das saladas de frutas que já existiu. Fez também uma jarra de vitamina com leite gordo, iogurte, mel, morangos e cereais, cortou fatias de pão salgado que havia passado boa parte da noite preparando e as recheou com queijo cremoso feito em casa. Fez tudo sem pressa. Uma maravilha!

Amava muito Aninha, uma fadinha simpática, feliz e não menos graciosa. Depois de arrumar o café da manhã na mesa, Dona Fada foi até o quarto da filha e a acordou com um beijo no rosto.

-Bom dia, minha querida. - disse, perguntando. - Está com fome?

Aninha deu um longo bocejo e balançou a cabeça para cima e para baixo, respondendo que sim.

-Ótimo, porque eu também estou com fome.

Dona Fada, percebendo o sono, não hesitou em ajudá-la a despertar de uma vez. Agitando sua varinha mágica no ar, fez com que as cortinas se abrissem e a luz do Sol inundasse o quarto. A claridade é um ótimo despertador natural, além de ser muito usada pelas fadas na hora de acordarem suas filhinhas.

Aninha se levantou da cama em seguida e foi direto para o banheiro, onde lavou o rosto e escovou os dentes, para, então, ir tomar o café. Esse era um ritual que a fadinha cumpria todas as manhãs, logo que acordava. Quando chegou na cozinha, viu o banquete colocado na mesa.

-Obrigado, mamãe. Será que eu vou conseguir comer tudo?

-Tudo? - Dona Fada a encarou, pensativa. - Acho improvável. - respondeu. Enquanto olhava para a mesa e em tom de brincadeira, concluiu. - Como eu já disse, estou com muita fome. Eu te ajudo a comer tudinho. Não vai sobrar nada.

Aninha abriu um largo sorriso, achando graça na descontração da mãe.

-Tudinho mesmo? - perguntou.

-Tudinho. Sou capaz de comer até a mesa.

-Comer a mesa? - Aninha arregalou os olhos. - E as cadeiras, também? - perguntou.

-Tudinho, tudinho, tudinho. - a fada materna insistiu na brincadeira.

Satisfazia-se enormemente e sempre que via um sorriso se abrir no rosto da amada filha. Assim sendo, certa de que realmente estava com muita fome, muita fome mesmo, Aninha sentou-se na cadeira mais próxima da porta da cozinha e começou a tomar o café. Pediu um dos bolinhos caseiros à sua mãe, que a atendeu prontamente, depois quis uma porção de salada de frutas, duas fatias bem grossas de pão e uma caneca cheia de vitamina.

-Que delícia! - exclamou após tomar um gole da vitamina.

Dona Fada a seguiu na comilança. Sentou-se na cadeira, pegou uma fatia de pão e também encheu a sua caneca com vitamina. Metade de uma hora depois, Aninha terminou de tomar o seu café e esteve bem alimentada. Dona Fada, entretanto, havia preparado mais uma surpresa.

Disse, ela:

-Eu tenho um presentinho para você, minha querida.

-Um presente para mim?

-Isso mesmo, ele está no seu quarto.

Definitivamente, aquele estava sendo um dia muito especial para Aninha, muito mesmo. Num súbito contentamento que só se fazia crescer, ela exclamou:

-Eu imaginava que a gente só ganhava presente quando fazia aniversário!

A atenciosa fada fingiu surpresa com o comentário da filha.

-É mesmo? - a fada materna perguntou inocentemente.

-Aham. - a pequena fadinha acenou que sim

Aninha era uma criaturinha que só gerava amor em sua volta. Antes de correr para o quarto para pegar seu presente, ela se levantou da cadeira e beijou Dona Fada no rosto.

-Obrigado, mamãe. - agradeceu novamente. - Eu te amo muito.

-De nada, minha querida, também te amo. - Dona Fada a abraçou. - Te amo muitíssimo mesmo! Você é uma filha carinhosa, obediente e gentil. Merece ganhar um presentinho de vez em quando.


* * * * *

Sem fazer qualquer esforço para minimizar seu entusiasmo e sua curiosidade, Aninha não ficou mais nenhum segundo longe do presente: foi correndo para o seu quarto e viu um par de sapatinhos cor-de-rosa brilharem como pouquíssimas coisas no mundo seriam possíveis de brilhar. Estavam ajeitados caprichosamente, um do ladinho do outro, na beirada da cama.

-Gostou do presente? - perguntou, Dona Fada, ao ver o contentamento estampado no rosto da filha.

-Aham, muito. - respondeu, a menina fadinha, balançando a cabeça afirmativamente. Ao tocar nos sapatinhos, ela perguntou. - Como sabe que a minha cor preferida é rosa?

Meu Deus, como as fadinhas podem ser tão puras! Quem olhasse para o quarto imediatamente veria que a pergunta tinha uma resposta mais do que óbvia. Tudo, exceto as cortinas que eram azuis, tinha os tons da sua cor preferida. Aninha era apaixonada por tudo que lembrava rosas.

Dona Fada se abaixou na altura da filha e, olhando-a com descontração, respondeu:

-Um passarinho fofoqueiro me contou.

-Um passarinho? - Aninha a encarou, surpresa. - De que cor era esse passarinho?

-Um passarinho que também era cor-de-rosa. - afirmou então, Dona Fada, ludicamente.

Assim que ouviu a resposta, Aninha imaginou um passarinho cor-de-rosa fofoqueiro piar no ouvido de sua mãe e achou a cena muito engraçada. Aliás, poucas meninas fadinhas no mundo não veriam graça nisso.

Em seguida, calçou os sapatinhos de brilhantes que couberam perfeitamente nos seus pés.

-Eles são confortáveis? - perguntou, Dona Fada.

Aninha balançou a cabeça, respondendo que sim:

-Aham, eles são.

De fato eram extremamente confortáveis. Aqueles sapatinhos, além de macios, se encaixaram tão perfeitamente nos pés de Aninha que pareciam terem se ajustado magicamente.

Enquanto Dona Fada observava a filha próxima da porta do quarto e presenciava seu entusiasmo com os presentes, a fadinha deu alguns passos para o lado e percebeu que, durante a curta caminhada, eles brilharam com mais intensidade.

-Olha, mamãe, os sapatinhos estão brilhando com mais força! - Aninha exclamou ao olhar para baixo e mexer os pés.

-Sim, querida. - assentiu, Dona Fada, que ainda revelou um detalhe especial do presente que havia dado. - Os sapatinhos são mágicos, por isso é que eles brilham quando você anda.

-Mágicos? Que eles fazem?

-Realizam desejos.

-Que tipo de desejo?

-Qualquer desejo. - Dona Fada respondeu e explicou brevemente. - Com os sapatinhos calçados, você fecha os olhos, faz um pedido do fundo do coração e chacoalha os pés.

Assim sendo, sem perda de tempo, Aninha fechou os olhos e pôs-se a pensar o que pedir.


* * * * *

Foi assim que Aninha realizou seu primeiro desejo: chacoalhou os pés de olhos fechados e seus sapatinhos brilharam segundos antes de um enorme coelho cor-de-rosa, com orelhas gigantes, surgir no quarto.

-Puxa vida, minha querida, você pediu um coelho e tanto! - exclamou, Dona Fada, surpresa e quase caindo para trás. - Ele é muito mais grande do que qualquer outro no mundo e também é cor-de-rosa! - emendou ao mesmo tempo em que se mostrou espantada com o desejo da filha e era observada com ternura pelo animal.

-Ele não é fofinho? - perguntou, Aninha, emanando alegria.

-Aham, muito. - respondeu, Dona Fada. - Ele é bem fofinho, o problema é que é grande demais. Não podia ter pedido um coelho um pouquinho menor, querida?

A menina fadinha pouco pensou para responder que não.

-Eu sempre quis ter um coelho gigante. - disse. - Prometo que vou cuidar dele.

-Promete mesmo?

-Prometo. - assegurou, Aninha, logo perguntando. - Posso ficar com ele?

-Está bem. - aceitou, Dona Fada. Carinhosa, a fada materna olhou para o coelho e atestou à filha. - Você tem razão, minha querida. Ele até que é bem fofinho, apesar do tamanho.

Neste meio tempo, ora confuso, ora assustado, o coelho apenas arrebitou suas enormes orelhas e recebeu vários abraços amorosos de Aninha. Era como se ele se mostrasse muito mais surpreso por ter aparecido naquele quarto do que a própria Dona Fada havia se mostrado ao vê-lo.


* * * * *

Tão logo teve o primeiro desejo atendido pelos sapatinhos de brilhantes, Aninha fez a seguinte pergunta:

-Posso fazer um outro, mamãe?

-Sim, minha querida. - respondeu uma Dona Fada que era observada de perto pelo coelho cor-de-rosa.

-Oba!

Antes de fazerem brilhar os sapatinhos, Aninha voltou a fechar os olhos e colocou-se a imaginar o que poderia ser seu segundo desejo.

-Que eu vou pedir? - em voz baixa, a menina fadinha se perguntava. E pensou. - Eu tenho tudo: tenho uma mãe que me ama, tenho um quarto, tenho brinquedos e tenho até muitas amigas para brincar. Que será que eu quero agora?

Não demorou muito para que Aninha encontrasse a resposta. Mentalizou fortemente outro coelho cor-de-rosa, chacoalhou os pés, fazendo com que seus sapatinhos novamente brilhassem, e viu seu primeiro pedido se multiplicar por dois.

-Minha nossa, outro coelho! - exclamou, Dona Fada, surpreendida com o segundo desejo da filha.

Com um olhar de espanto e como que respondendo a surpresa de Dona Fada, o segundo coelho também externou assombro por sua aparição no quarto, ao mesmo tempo que Aninha agora mostrava uma alegria duplicada em ver que tinha dois coelhos gigantes para brincar.

-Ele não é fofinho? - perguntou.

Dona Fada, sem saber muito o que responder, acenou que sim com a cabeça.

-Aham, minha querida. - disse. - Ele é muito fofinho.


* * * * *

Os dois coelhos se ajuntaram num canto do quarto e não fizeram cerimônia ou rejeição à presença de um ao outro. De imediato, ficaram amigos. Mesmo assim, Dona Fada não conseguia deixar de observá-los com certo ar de preocupação. Não tinha medo deles pois, apesar de serem bem mais grandes do que o normal, eram mansos, carinhosos e dóceis. Sua preocupação se limitava ao pouco espaço que tinha dentro de casa para abrigá-los com conforto.

-Onde eles vão ficar, minha querida? - perguntou à filha, referindo-se aos coelhos.

A resposta pareceu ser bastante óbvia para a menina fadinha.

-No meu quarto. - respondeu. Ingenuamente, concluiu. - Eles vão dormir junto comigo, na minha cama. São meus filhinhos.

Dona Fada sorriu com a resposta.

-Na sua cama?

-Isso mesmo. - assegurou, Aninha, que, com uma alegria que só se fazia crescer, exclamou ainda para Dona Fada. - A gente vai dormir bem juntinho, vai ser muito legal!

Na cama mal cabiam um dos coelhos, quiçá os dois coelhos juntos. Cada um deles tinha mais do que o triplo do tamanho da menina fadinha. Dona Fada, assim sendo, sem insistir com a preocupação, limitou-se a sorrir prazerosamente enquanto presenciava a alegria da filha, que, por sua vez, ansiosa em ver seus sapatinhos brilharem novamente, tornou a perguntar:

-Eu posso fazer outro desejo?

-Outro desejo? - apreensiva, Dona Fada parou de sorrir no mesmo instante. - Que você vai pedir? - perguntou já desconfiando qual seria a resposta.

-Eu quero outro coelho cor-de-rosa. - Aninha respondeu.

-Outro coelho cor-de-rosa! - Dona Fada quase se derramou para trás. - Tem certeza, minha querida? - questionou-a, trêmula e com os olhos bem arregalados.

Aninha só pode ter brincado com a mãe ao responder que queria outro coelho cor-de-rosa; já tinha dois! Mas não brincou.

-Aham. - respondeu que sim. - Você sabe que eu sou apaixonada por coelho e que também amo muito cor-de-rosa, não sabe? - destemida, sonhadora e determinada, Aninha era pura felicidade.

-Sim, minha queria. - Dona Fada autorizou que a filha fizesse o terceiro pedido então. - Que mau há em ter mais um coelhinho gigante, não é mesmo? – fez a pergunta a si própria.

A pequena fadinha chacoalhou os pés alegremente e fez com que seus sapatinhos mágicos voltassem a brilhar, enquanto que os dois coelhos gigantes levantaram as orelhas, encolheram os focinhos e correram, assustados, para cima da cama, que se partiu ao meio com o peso dos dois. Pareceram adivinhar o exato instante que o terceiro coelho cor-de-rosa apareceu no quarto.

FIM

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