sexta-feira, 31 de março de 2017

Viagem Inesquecível (Segunda Parte do Capítulo).


Ansiosa, Klara não via a hora de descobrir, com seus próprios olhos, se o Vale das Rosas era tão bonito quanto em sua imaginação.

“Como será que ele é?” - perguntou-se, silenciosamente.

Nesse meio tempo, olhou para fora do cesto e teve uma grande surpresa: viu um anjo, que parecia ser Milosh, se aproximar com certa rapidez.

“Como vai, pequena?” - perguntou, o anjo, assim que chegou perto dela.

Não só parecia ser Milosh, como era ele. Milagrosamente, Klara reencontrou o anjo cigano que pensara nunca mais ver.

“Milosh!” - ela explodiu em alegria. - “Eu estou indo para o vale.” - contou ao anjo, que, por sua vez, voava bem ao lado do cesto.

“Está indo para o vale?” - Milosh fingiu surpresa.

Ele sabia perfeitamente para onde Klara estava indo, além de ficar extremamente feliz ao ver a alegria da menina com sua presença.

“Sim.” - Klara o respondeu.

Lazar e Doriana, ao contrário da pequena búlgara, não demonstraram surpresa com a aproximação do anjo. Sutilmente e com ar de aprovação, Doriana olhou para o amado, antes de perguntar para Milosh:

“Não quer se juntar a nós?”

“Sim, obrigado.” - agradeceu, Milosh, que recolheu as asas no contorno das costas e saltou para dentro do cesto.

“Muito prazer, meu nome é Lazar.” - pomposo, o balonista búlgaro apertou a mão do anjo, apresentando-se. - “Sou o primeiro balonista da cidade de Gabrovo.” - depois, olhou para o lado e apresentou a amada. - “Essa é minha noiva, o nome dela é Doriana.”

“Olá, eu me chamo Milosh.” - educadamente, o anjo cigano se apresentou ao casal de balonistas. - “Como está indo a viagem?” - perguntou.

“Bem.” - respondeu, Doriana, que voltou a regular a chama do maçarico, administrando, mais uma vez, o ar quente dentro do balão.

Percebendo a alegria e a admiração se estamparem no rostinho de Klara, ela foi logo perguntando para Milosh:

“Você é um daqueles anjos ciganos?”

“Sim.” - respondeu, Milosh, perguntando. - “Por que?”

“Porque temos uma amiga que nos falou muito bem de você.” - disse, Doriana, descontraidamente, ao mesmo tempo que olhava para Klara.

Milosh, fingiu surpresa, arregalando os olhos para a pequena búlgara.

“Me elogiou tanto assim?” - perguntou.

“Aham.” - ela respondeu, sorrindo.

“De qualquer forma, não sei se mereço os elogios.” - acrescentou, o anjo, modestamente. E minimizou. - “Se Klara falou bem de mim, certamente é porquê é muito generosa, não porquê mereço.”

Em resposta, tímida, a pequena voltou a sorrir.

Percebendo, então, uma crescente curiosidade por sua presença, o anjo cigano foi direto ao assunto.

“Quando soube que estava indo para o vale, fiquei muito feliz.” - revelou, ele, para Klara, dizendo. - “Vim o mais rápido que pude para me despedir.”


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quinta-feira, 30 de março de 2017

POESIA: Osvardo: Terra dos Pedros.


Cidade média, Terra dos Pedros,
existiu matuto a destruir, brutal.
No peito seco, rachado e fundo,
fez-se, Osvardo, príncipe lacrimal.

O feminino das fêmeas.
Cavalo selvagem, o mais fraternal.
Osvardo das valas, o desvalido,
eis apenas um, mesmo sendo plural!

Amigos que o ouvem cantando,
gente desmerecida de maus.
Osvardo, andante mulambo!
Rio de lama sob canoa sem paus!

Falassem, as pedras, pedreiras e Pedros:
aquele Osvardo de vida banal!
Nascera bom, menino de Deus.
Dois destinos e nenhum por sinal!

Osvardo das serras do México.
Osvardo de um sonho natal.
Falassem, as pedras, pedreiras e Pedros:
você, Osvardo, indistinto amigo,
eis o eterno caído, inimigo do mau!

quarta-feira, 29 de março de 2017

Viagem Inesquecível (Primeira Parte do Capítulo).


Um tom alaranjado e incomum iluminava as extremidades do céu na medida em que um Sol generoso se escondia no horizonte.

Klara viajava há horas.

“Falta muito para a gente chegar?” - ela perguntou ao casal de balonistas.

“Não, querida.” - respondeu, Doriana, pacientemente. - “Estamos quase chegando.”

Tinha pressa. Queria, logo, chegar em casa para reencontrar sua mamãe, enquanto que Doriana parecia achar graça que uma menina tão pequena conseguisse arranjar tantas perguntas. Klara mal podia imaginar é que não estava voltando para Gabrovo como pensava, mas, sim, para o Vale das Rosas. Sem querer, Lazar acabou revelando para onde estavam indo.

“Está curiosa para conhecer o vale?” - perguntou, o balonista, de repente.

“Qual vale?” - intrigada, Klara perguntou de volta.

“O Vale das Rosas.” - ele respondeu. E, logo em seguida, encarou a amada sem esconder seu constrangimento. Não era justo sustentar tal mentira. Klara tinha que saber a verdade.

“A gente não está indo para a minha casa?” - a pequena perguntou.

“Não.” - ele respondeu.

“Por que?”

Antes de responder, Lazar se abaixou e olhou diretamente nos olhos da pequena búlgara.

“Porque a sua mamãe não está mais lá.”

“Aonde ela foi?”

“Infelizmente, não sabemos.” - respondeu, Lazar.

Nesse meio tempo, fazendo o mesmo trajeto do balão roxo de Doriana, dezenas de balões começavam a surgir, deixando o céu mais colorido conforme se multiplicavam.

“Como ele é?” - perguntou, Klara, referindo-se ao vale.

“Ele?” - Doriana a encarou, sem saber a quem ela se referia. - De quem está falando? - perguntou.

“Do vale.” - a pequena respondeu.

“Imagine um imenso campo de rosas.” - em tom de fantasia, Doriana pediu, respondendo. - “Imagine um lugar onde a terra é perfumada e a pressa não governa ninguém; se é que algum dia o tempo governou por lá!”

A menina de Gabrovo fechou os olhos, tratando de imaginar uma linda plantação de rosas brancas, e Doriana, enquanto isso, continuou descrevendo o vale:

“Imagine um lugar onde o clima é sempre fresco, agradável, onde o céu nunca perde seu tom azul e, quando escurece, é cheio de estrelas.” - a bela balonista pediu à menina. - “Tente imaginar um lugar onde não exista tristeza.”

“Ninguém fica triste no vale?” - Klara perguntou.

“Não, minha querida.” - garantiu, Doriana. - “Ninguém.”

“Por que?”

“Porque o vale é um lugar muito bonito.”

Ao vê-la com os olhos fechados e o rostinho absolutamente encantado, Doriana não conteve sua curiosidade em saber o que Klara estava imaginando. Perguntou:

“O que está vendo?”

“Eu estou vendo um lago cercado por árvores cheias de folhas e de borboletas e de passarinhos.” - ela foi descrevendo tudo que lhe vinha na mente. - “Os coelhos são branquinhos e os gatos e os cachorros estão correndo um atrás do outro, e o céu também é muito bonito.” - disse, concluindo. - “Têm peixes coloridos, nadando num lago, para a gente dar comida para eles, além de almofadas e bonecas para a gente sentar e brincar o dia todo.”

“Não disse que era um lugar muito bonito!” - exclamou, Doriana, arrancando um breve sorriso da menina.


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terça-feira, 28 de março de 2017

POESIA: Invenção da Saudade por Outros Nomes.


A Saudade, fina névoa.
Contagiosa pelo sangue.
Onde crescem os sentimentos.
A que envenena os futuros,
por todo o sempre, o antes!

Fina névoa aos companheiros.
Põe amigos a toda prova.
Complicadas desse jeito:
a Saudade, pequeno mau atroz!

Cicatriza mas não tem cura.
Nunca serve a quem a sente.
Saudade essa dos que padecem.
Veneno doce, o medo de frente!

Da mais simples à opulência,
sentimento triste, adentra moradas,
faz-se mais rude nos soldados,
batalha insana, o pior das guerras?
É farda de nuvem! Fígado. Barrigada.

Um sussurro fino, moribundo.
Saudade, aquilo que se inventa.
Sejam amigos, sejam amantes,
de gestos nobres e elegantes,
delírio humano, humanidade atenta?

Dos sentidos e sentimentos,
o saudosista é costumeiro.
Cresce, cresce, incomoda,
iguala vítimas ao prisioneiro!

Castidade nua, S de sal:
invenção ingênua do Tempo.
Saudade: fé com Carnaval?
Saudade com S de sentimento.

Nos meninos, paixão no homem,
nas meninas, mulher intensa.
Todos os nomes da Saudade,
dá-se o amor em recompensa.

Mais que uma falta por outros nomes,
pouco em pouco, tecendo teias.
De gente fina e de gente pobre,
de fato lógico e de fato nobre,
dos bem-nascidos e dos sem cobre,
seria, a Saudade, santo capricho de Deus?

segunda-feira, 27 de março de 2017

Capítulo 16: A Despedida (3° Parte).


“Eu vou voltar para a minha casa?” - perguntou, Klara, enormemente surpresa com a revelação de Lazar. Sem reação, era como se ela mal pudesse acreditar no que ouviu. - “Vai mesmo me levar para a casa?”

“Sim.” - respondeu, Lazar, em tom carinhoso. Sem especificar que a levaria para o vale e estranhando a falta de reação da menina de Gabrovo, ele perguntou. - “Por que, não quer mais ir para a casa?”

Antes de responder, Klara olhou rapidamente para Julia a fim de saber se a amiga ficaria triste com a sua partida. Viu nos olhos dela, além de muita tristeza, a mais genuína das solidões. Por mais que a considerasse sua melhor amiga, ainda sentia falta de sua casa, de ouvir as histórias que sua mãe contava antes de dormir, e de brincar, em seu quarto, com todas as suas bonecas. Enfim, inspirando profundamente, a pequena encheu-se de coragem e respondeu ao balonista que voltar para casa era o que ela mais vinha desejando nos últimos dias.

Se despediu de Julia:

“Eu vou ir para a casa.” - disse, abraçando-a. - “Então, adeus.”

“Adeus.” - murmurou, Julia.

Klara voltou para perto de Lazar, que a observava um pouco mais afastado, e foram até o balão de Doriana. Estava prestes a entrar no cesto, quando olhou para trás e viu a imponente raposa de fogo caminhar majestosamente em sua direção.

“Adeus, Velislava.” - despediu-se dela.

Em resposta, a fera lambeu as bochechas de Klara, que, por sua vez, agradeceu, acariciando o focinho da amorosa raposa.

“Isso faz cócegas!” - exclamou.

Sob o olhar atento de sua dona, Boris também se despediu de Klara. O cão pastor búlgaro, antes que a pequena búlgara saltasse para dentro do cesto, começou a latir como se soubesse que nunca mais a veria. O difícil e igualmente amargo momento da partida, enfim, se fizera presente. Lazar levantou Klara do chão e a colocou dentro do cesto.

“Podemos ir, querida?” - perguntou, Doriana, enquanto regulava a chama do maçarico.

“Sim.” - respondeu, Klara.

O balão de Doriana começou a ganhar altitude rapidamente, obrigando Lazar, que ainda estava do lado de fora do cesto, a se agarrar numa das cordas e a pular para dentro.

“Você foi a melhor amiga que eu já tive em toda a minha vida!” - gritou, Klara, para Julia, que assistia, com o coração pesado, a amiga partir.

“Adeus!” - respondeu, Julia.

E na ingenuidade de que ainda podia convencê-la a ficar, a menina ruiva pôs-se a correr atrás do balão.

“Não vai embora!” - gritava, inutilmente.

Já Velislava, nesse meio tempo, pouco parecia se abalar com a partida repentina da pequena búlgara. Majestosamente e não menos serena, ela ficou observando o balão se distanciar do chão.

“Adeus, Boris!” - gritou, Klara, para o cão pastor, que, eufórico ao ouvi-la, explodiu em latidos e pôs-se a correr atrás do balão junto com Julia.

Mergulhando num céu quase sem nuvens, os ventos sopraram o balão roxo de Doriana pouco acima das montanhas, onde, por ventura, desapareceu como se nunca houvesse existido. Raramente se viu, por aquelas terras búlgaras, amizade tão intensa e verdadeira.


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sexta-feira, 24 de março de 2017

Capítulo 16: A Despedida (2° Parte).


No momento em que o casal de balonistas se aproximava das meninas, Boris se levantou, sustentando-se nas patas traseiras, e lambeu o rosto de Doriana.

“Também senti a sua falta, Boris!” - exclamou, a bela balonista, penteando os pelos do animal com os dedos. Ao ver a menina de Gabrovo, cumprimentou-a. - “Como vai, pequena?”

“Estou bem.”

“A gente estava brincando com as minhas bonecas.” - Julia foi logo dizendo.

“E a gente deu nome para elas.” - emendou, Klara.

“Deram nomes para elas?” - Doriana fingiu surpresa.

“Sim.” - Klara confirmou.

“Quais?”

“Klara, Julia e Velislava.”

Doriana sorriu ao ouvir os nomes.

“Quando eu era pequena, também ficava horas brincando com as minhas bonecas.” - confidenciou, carinhosa. E revelou. - “Ficava tão feliz e despreocupada que sequer percebia o tempo passar.”

Surpresas com a confidência, Julia e Klara se entreolharam.

“Eu adorava brincar com elas. - continuou, Doriana.” - Elas eram muito bonitas!

“Quais nomes você deu para as suas bonecas?” - perguntou, Julia.

“Uma chamava Branka, a outra, Dana.” - a bela balonista citou os nomes que se lembrava. - “Tinha também a Valeska, a Ana e a Vera.”

Doriana ficou conversando com as meninas por mais algum tempo, até que Lazar se aproximou e ela, então, decidiu que seguiriam viagem o mais rápido possível.

“Não há mais o que esperar.” - disse, a balonista, ao amado, referindo-se à impossibilidade de que Klara pudesse reencontrar sua família. - “Partiremos agora mesmo.” - concluiu.

Enquanto ela reacendia a chama do maçarico, reaquecendo o ar dentro do balão, Lazar se abaixou na altura de Klara e revelou à menina:

“Tenho uma ótima notícia para lhe dar.”

“Qual?” - Klara perguntou.

“Vamos levá-la para a casa.” - revelou, o balonista búlgaro.

Julia, que vigiava Boris para que ele não voltasse a latir para o balão de Doriana, encontrava-se suficientemente perto da amiga para ouvir, com clareza, o que ela também havia escutado. - “Klara não vai querer ir embora.” - pensou, torcendo para que a amiga ficasse, para sempre, em sua casa. Sentiu um nó se formar na garganta, além de uma irresistível vontade de expulsar o casal de balonistas de sua casa. A menina ruiva estreitou os olhos para Lazar, mas se conteve e não fez nada. Limitou-se, apenas, a prestar atenção na conversa.


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quinta-feira, 23 de março de 2017

POESIA: Significado e Significância.


Que significa o significado?
Impressão, valor das coisas?
Onde se acha, se alcança?
Em amores perdidos, entre beijos?
No elogio sincero, derramado?
Significados em uma significância!

Como se acha, se encontra?
Na verdade.
Na importância.
É significado tendo significância!

Quantos significados hão na significância?
Uma cadela amamentando sua cria: significando.
Sua cria frente o amor da cadela: significância.
Significado é a natureza existindo e importando.

Existe um existir existente no significado?
Uma mãe perdendo seus filhos, já não há um significado.
Filhos vindos ao mundo sem mães: significados sem significâncias.
Todo significado significa nas significâncias; e ficam!

Significado é o que existe, é o real.
Significância, o que importa e vai significando.
Significados significam com significância.
E ficam, ficando, significantes!

quarta-feira, 22 de março de 2017

Capítulo 16: A Despedida (1° Parte).


“Não está chateado com o Boris?” - quis saber, Julia, ao mesmo tempo que encarava o balonista.

A pergunta veio após Lazar conferir os estragos, causados por Boris, no seu balão e não mostrar qualquer irritação com o que via.

“E por quê eu deveria me chatear com ele?” - invés de responder, o balonista perguntou de volta. - “Boris é um bom cão!” - exclamou. - “É muito levado, eu reconheço, mas, mesmo assim, é um bom cão.”

“O Boris, um bom cão?” - visivelmente intrigada, Julia arregalou os olhos. Logo em seguida, olhou para Klara convicta de que ele não o conhecia tão bem quanto elas o conheciam. Disse para Lazar, referindo-se ao cão pastor. - “Ele não pode ser um bom cão. Ele é um grande desastrado e um trapalhão, isso sim.”

O ceticismo, rapidamente, daria lugar a uma surpresa. No céu, um ponto roxo, que só se fazia aumentar, chamou a atenção de Boris, que começou a latir e correr ao encontro do balão.

“O que será que ele quer agora?” - perguntou-se, Julia, ao ouvi-lo latir. A menina ruiva olhou para cima e viu o ponto roxo, aos poucos, se destacar do céu. - “Olha, é outro balão!” - exclamou.

“Sim.” - disse, Lazar, afirmando. - “É o balão de Doriana.”

“De quem?” - Klara perguntou.

“É o balão de Doriana, a minha amada.” - respondeu, ele, em tom apaixonado.

Quando o cesto, enfim, tocou o chão, para o indisfarçável orgulho das meninas, o balão roxo pousou suavemente, um feito aparentemente impossível para Lazar, que, em suas duas últimas aterrizagens, tivera muita sorte de não se machucar.

Com desenvoltura, a bela balonista saltou para fora do cesto.

“Me atrasei?” - perguntou, depois de beijá-lo.

Lazar respondeu que não, balançando a cabeça.

“Enquanto descia, vi alguns rasgos no seu balão.” - continuou, Doriana, perguntando, preocupada. - “O que houve?”

“Digamos que eu tive outra má sorte.” - respondeu, Lazar, com certo constrangimento. - “Aliás, não sei o que seria de mim sem você.” - desconversou, sorrindo para ela. - “Eu estou bem.” - garantiu. - “Apesar de ter feito uma aterrissagem bastante difícil, estou bem.”

“Fico feliz em ouvir isso.” - assentiu, Doriana, mais tranquila. No entanto, ao ver Klara observando-a timidamente, perguntou. - “E a pequena, como ela está?” - queria saber se Klara havia, enfim, reencontrado a sua família.

“Ela está bem.” - respondeu, Lazar, que, em voz suficientemente baixa para que somente a amada o ouvisse, completou, não hesitando em lamentar. - “Pobre menina órfã, não tem ninguém que a cuide!”

“Yordanka a abandonou?” - perguntou, Doriana, também em voz baixa.

“Sim.” - Lazar respondeu. Convicto, ainda disse. - “Vamos ter que lavá-la para o vale.”

Igualmente convencida de que era o ideal a se fazer, Doriana concordou de imediato.

“Não podemos partir e deixá-la aqui.” - sussurrou.


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terça-feira, 21 de março de 2017

POESIA: Areias do Tempo.


Primeiro de abril,
viveu-se uma história.
Sentimentos no tempo.
Fato, verdade, memória!

Assim se amaram:
Descuido divino.
Acidente. Acaso.
O Amor e a Morte.

E logo disseram-se:
Juntos, podemos tudo!
De nada sabiam.
Dois tolos, estúpidos!

Deus tolerante.
Os anjos os amavam.
Mistérios? A sorte?
Viveu-se uma história.

Escrituras à vida,
promessas do amor.
Que se amem! E se amaram.
Se amarão! Veio a Luz. Amando-se.

Viveu-se uma história.
Passageira do tempo!
Ao passado: o amor, aqui, amou!
Passou, passando, e a Vida ficou.

segunda-feira, 20 de março de 2017

O INTERROGATÓRIO (Terceira Parte do Capítulo).


“Se Milosh foi legal com vocês, que são minhas amigas, mesmo sem conhecê-lo, já o considero meu amigo.” - ao dizer, o balonista pôs a espiga de milho em seu prato e perguntou descontraidamente. - “Quem mais vocês conheceram?”

“A gente conheceu Zita.” - respondeu, Julia.

“E Zita, quem é?”

“Zita é a irmã de Milosh.” - Klara respondeu.

Lazar, de novo, fingiu surpresa ao ouvir a resposta de Klara, que, por sua vez, emendou:

“E ela também foi muito legal com a gente.”

Ao concluir seu pequeno interrogatório, o balonista suspirou, dizendo:

“Não fazem ideia de como me deixaram ansioso para conhecer esse acampamento.”

Julia e Klara, em resposta, sorriram para ele.

Sem que ninguém notasse, observando a conversa, entediado, Boris atravessou a porta da sala e disparou até o balão de Lazar. Na medida em que começava a retalhar um pedaço do tecido amarelo com seus dentes pontiagudos, explodiu em euforia.

“Aonde será que ele foi agora?” - perguntou, Julia, à amiga, referindo-se ao cão pastor.

“Quem?” - Klara perguntou.

“O Boris.” - disse, Julia.

“Eu não sei.” - a pequena respondeu.

Desconfiada, Julia, então, se levantou da cadeira, parecendo adivinhar os momentos em que ele aprontava, e foi procurá-lo fora da casa. Logo que atravessou a porta da sala, viu-o encima do cesto do balão que havia tombado na queda e o repreendeu:

“Boris, venha já para cá!”

Em resposta, o cão pastor búlgaro saltou de cima do cesto e correu ao encontro da menina, trazendo consigo um retalho de tecido que arrancara do balão.

“O que é isso?” - quis saber, Julia, ao pegar o tecido. E perguntou, nervosa. - “Onde você o achou?”

Mas Boris apenas latiu.

Percebendo que se tratava de um retalho do balão de Lazar, a menina ruiva o encarou, mostrou o que segurava nas mãos e bufou:

“Olha o que você fez, seu malvado!”


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quinta-feira, 16 de março de 2017

O INTERROGATÓRIO (Segunda Parte do Capítulo).


Enquanto conversavam, Velislava olhou fixamente nos olhos de Lazar. Era como se lhe dissesse algo apenas por telepatia. O balonista, em resposta, fez um discreto aceno com a cabeça e perguntou às meninas:

“Soube que vocês subiram a montanha cigana e conheceram o acampamento. Eles são legais?”

“Sim.” - Julia respondeu.

“Eles são muito legais.” - emendou, Klara.

Lazar as encarou, fingindo surpresa com o que ouviu.

“Apesar de ter sobrevoado aquela montanha incontáveis vezes a bordo do meu balão só os vi de longe.” - comentou, referindo-se aos anjos ciganos. - “Eu não conheço o acampamento e também nunca estive na montanha. Como eles são?” - perguntou.

“A gente também não conhecia o acampamento.” - ressaltou, Klara, explicando antes de dar uma dentada em sua espiga de milho. - “Mas eles foram muito legais com a gente.”

“Foi o Pedro que levou a gente até lá.” - acrescentou, Julia.

Atento, Lazar não escondeu sua estranheza.

“Quem é Pedro?” - perguntou.

“Pedro é um muflão.” - Julia respondeu.

“Foi ele quem levou a gente ate à montanha.” - continuou, Klara, contentemente. Lembrando-se do banquete servido pelos anjos, revelou ao balonista. - “Milosh também é muito legal e a comida cigana é muito gostosa.”

Feliz ao ver a alegria estampar-se no rostinho da pequena, Lazar abriu um largo sorriso.

“Enquanto a isso, eu não tenho nenhuma dúvida!” - exclamou, confidenciando. - “Minha mamãe é cigana e sempre fez comidas muito gostosas para mim.” - em seguida, o balonista búlgaro deu uma generosa dentada em sua espiga de milho cozido.

“Qual é o nome dela?” - perguntou, Klara, curiosa.

“Minha mamãe se chama Napolina.” - ele respondeu.

Lazar não queria pôr fim à conversa, por isso foi logo perguntando:

“E Milosh, quem é? É algum outro muflão que vocês conheceram?”

“Não.” - respondeu, Klara, dizendo. - “Milosh é um dos anjos ciganos que a gente conheceu no acampamento.”


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quarta-feira, 15 de março de 2017

O INTERROGATÓRIO (Primeira Parte do Capítulo).


“Não se lembra de nada?” - perguntou, Lazar, que, cada vez mais intrigado pelo esquecimento de Klara, insistiu. - “Tente se lembrar de qualquer coisa que possa ter acontecido antes de você acordar na clareira.”

A pequena búlgara, então, se esforçou para lembrar de alguma coisa. Fechou os olhos, imaginando-se de volta naquele lugar, mas nada que importasse lhe veio na cabeça.

“Eu não consigo me lembrar de nada.” - disse, aflita.

Diferentemente de Boris, que o observava de um canto da sala, e de Velislava, que se sentou perto da porta, Lazar estava sentado de frente para uma mesa, entre Julia e Klara, onde havia um prato oval de porcelana com espigas de milho que ele próprio cozeu.

“Sua vovó foi a primeira pessoa que você viu?” - quis saber, o balonista, enquanto garfava uma das espigas cozidas.

“Sim.” - Klara respondeu.

Ela olhou para Julia, que, ao perceber a agonia no seu olhar, interveio.

“Não precisa ficar preocupada, Klara.” - disse, a menina ruiva, igualmente intrigada pelo esquecimento da amiga. Mesmo não externando a preocupação que sentia e com receio de agoniá-la ainda mais, Julia foi logo prometendo. - “A gente vai encontrar a sua vovó.”

“Exatamente.” - emendou, Lazar, que, enfim, se deu conta de que a menina verdadeiramente estava sendo sincero quando dizia não se lembrar de nada. - “A gente vai encontrar a sua família.” - prometeu. - “Não precisa ficar triste, você não está sozinha.”

“Dou a minha palavra que vou ajudá-la.” - tranquilizou-a, perguntando. - “Você confia em mim?”

Tímida, Klara sorriu discretamente e respondeu que sim.

Não era difícil, para ela, confiar em Lazar. A pequena sentia nele a mesma sensação de conforto que sentia em Velislava. Sentia-se acarinhada, cuidada e protegida. A raposa de fogo, nesse meio tempo, passou ao lado da mesa e se deitou no corredor, bem embaixo do quadro misterioso que havia despertado a atenção de Klara.

“Ela não está mais pegando fogo!” - exclamou, Klara.

Para o seu espanto, as chamas que Velislava expelia da pelagem avermelhada havia, quase que por completo, se apagado segundos antes de chegar no corredor.

“De quem você está falando?” - Julia perguntou.

“A sua mamãe.” - apontou, Klara, a raposa deitada no corredor.

Julia, então, se virou e olhou para Velislava a fim de saber sobre o que a amiga se referia.

“Isso sempre acontece.” - disse, com absoluta normalidade. E explicou. - “O fogo apaga para ela poder entrar na casa.”

“Por que?” - Klara perguntou.

“Porque assim ela não machuca ninguém.”

“Não machuca ninguém?”

“Isso mesmo.” - disse, Julia, que voltou a explicar. - “O fogo apaga para ela não queimar a casa e não machucar ninguém.”


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terça-feira, 14 de março de 2017

POESIA: O Ovo e a Tartaruga.


Inspirado no conto “O Ovo e a Galinha”, de Clarice Lispector.

O caso mais entranho de amor.
O ovo deu paixão na tartaruga.
Passado os segundos que botou.
Admirou-se, a tartaruga, seu ovo cor de uva.

Juntos ficaram dias e dias,
um ovo e uma tartaruga.
Afundadinhos na areia, protegendo-se:
Criadora e a criatura!

Mãe e filho, filho e mãe!
O ovo, a paixão da tartaruga.
O caso mais estranho de amor.
Mais que um ovo, o ovalado cor de uva!

Bebezinho, gut gut, querido:
O ovo de uma tartaruga!
Imenso amor, carinho eterno,
a natureza fazendo travessura!

O resto dos seus dias na praia, a tartaruga nunca mais sairia de perto do ovo, que, por sua vez, nunca se prestou a chocar. Que outro se prestaria?

Haja amor dado de um ovo a uma simples tartaruga!

segunda-feira, 13 de março de 2017

A Segunda Queda do Balonista (2° Parte).


Pelo modo com que perguntou, Lazar parecia conhecer Velislava, o que também causou certa surpresa em Klara, que, ao ouvi-lo, aguçou os ouvidos na expectativa de que a raposa lhe respondesse alguma coisa. Porém, a fera limitou-se a chicotear sua longa cauda avermelhada no ar, desapontando a pequena.

Logo em seguida, o balonista voltou as atenções para Klara.

“E você, pequena, como está?” - perguntou, em tom caloroso.

Queria saber se ela, finalmente, havia reencontrado sua vovó, Yordanka.

“Estou bem.” - respondeu, Klara, timidamente.

“A gente estava brincando com as minhas bonecas antes de você chegar.” - acrescentou, Julia.

Fingindo surpresa, o balonista arregalou os olhos para Klara e emendou outra pergunta:

“Estavam brincando?”

“Sim.” - ela confirmou.

“Encontrou a sua vovó?”

“Não.” - respondeu, Klara, com tristeza.

Apesar de feliz, por ter a amizade de Julia, e tranquila, com a proteção de Velislava, ainda sentia falta de sua casa, de brincar, em seu quarto, com suas amigas e todas as suas bonecas.

Julia percebeu a tristeza da amiga e interveio, perguntando ao balonista:

“O que aconteceu com o seu balão?”

“O que aconteceu?” - envergonhado, Lazar respirou fundo e tentou explicar. - “O problema é que, às vezes, eu me distraio tanto com a paisagem que não percebo o combustível acabando.”

Julia e Klara se entreolharam, parecendo achar graça nas palavras do balonista, que, por sua vez, as interrompeu, dizendo:

“É uma longa história, meninas. Estou com muita fome, prometo que conto tudo se me convidarem para o almoço.”

“Quer almoçar com a gente?” - perguntou, Julia, de imediato.

“Sim, obrigado.” - respondeu, Lazar.

Ao contrário de Velislava, que voltou a se sentar perto da varanda, e de Boris, que correu até o balão acidentado e pôs-se a estragar o que ainda, por milagre ou providência da sorte, pudesse ter algum conserto, Lazar, Julia e Klara atravessaram a varanda e entraram na casa.

Pouco tempo depois, desconfiada da ausência do cão pastor, Julia se perguntou em voz alta:

“Aonde será que ele foi?”

“Ele, quem?” - Lazar perguntou de volta.

“O Boris.” - ela respondeu.

Saiu da casa para procurá-lo e o flagrou encima do cesto, mordendo e puxando o tecido amarelo do balão.

“Boris, seu malvado!” - repreendeu-o, exigindo. - “Venha para cá agora mesmo!”

O cão pastor protestou com um só latido, mas a obedeceu e voltou para perto de Julia. Enquanto corria para dentro da casa, a menina ruiva se perguntou o que havia feito de mau para merecer um cão tão levado e arteiro.

“Por que será que ele nunca se comporta?” - perguntou-se, murmurando. - “Não é a toa que é malvado.”


CONTINUE ACOMPANHANDO A HISTÓRIA NAS PRÓXIMAS POSTAGENS.

quinta-feira, 9 de março de 2017

POESIA: O Coração de Natalina.


Secas e fome.
Sol de Agreste.
Dureza, dureza!
Natalina Fernandez,
a mãe da tristeza!

Um marido covarde.
O Genivaldo que amava.
Feliz? Pelo mundo?
Cigano de estrada!

Barriga vazia e a alma no chão.
Natalina Fernandez não tinha dinheiro mas também não tinha FÍOS.
Graças a Deus!

Sofrida, sofrente.
Um doce de fé!
Sonhava e sonhava:
Misericórdia, meu Deus!

De fibra, silvestre,
sozinha, MUIÉ.
Coragem, coragem!
Aquela que respira fundo, levanta a cabeça e enfrenta mil demônios em pé.

Outono de oitenta,
então, decidiu:
Chega, eu cansei!

PRA SUMPAULO, MIMBORA!
E não é que partiu!

Arara em arara,
em SUMPAULO chegou!
Capital do dinheiro,
a Cidade do Horror.

Cimento e ferro,
os PRÉDIO nas NUVEM.
Natalina não se acovarda.
BATAIA, BATAIA!
É demitida pelas PATROA,
mas não desisti da luta!

Aos setenta e sete, há de resistir até o fim!

Barriga vazia,
nativa do chão.
Natalina, a perfeita!
Repressão de polícia,
pactua com o Cão.

Ao chegar NAS QUEBRADA,
sentou e chorou.
Um cara pergunta:
Por que choras, dona?
Prazer, seu protetor!

TRABAIANDO PROS CARA,
na vida, se fez.
Natalina, valente,
perdeste de vez!

Pobre e bandida.
A alma vendeu.
Menina do agreste.
Pei! Pei! Pei!
PROS TIRA, ajoelhou, levou três PIPOCO na cara e morreu!

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