Velislava, a Raposa de Fogo (Parte 02).


“Não precisa ter medo.” - a menina ruiva tentou pôr fim ao pavor de Klara, assegurando. - “Ela não vai te fazer mal.”

Boris, que havia se afastado de sua dona para se ir atrás de Velislava, enfim, reapareceu, saindo da mata no mesmo lugar onde a raposa havia saltado, e se aproximou de Julia.

“Onde o senhor estava, seu malvado?” - perguntou para o cão, repreendendo-o. - “Fique sabendo que me deixou muito preocupada. Nunca mais saia de perto de mim!”

O cão pastor protestou, latindo baixo, e, sem externar quaisquer medos ou receio, se aproximou da majestosa raposa.

Por mais que se esforçasse, Klara não conseguia enxergar uma figura materna em Velislava. - “Ela é uma raposa e Julia é uma menina.” - pensou, intrigada, enquanto a observava. - “Como pode ser mãe dela?” - perguntou-se. Foi, então, que se convenceu de que Julia estava sendo sincera quando dizia que a fera era sua mamãe no momento em que, para seu total horror, ela se colocou diante da raposa e, sem que a pequena a ouvisse, pediu:

“Não machuque ela, mamãe.” - logo em seguida, a menina ruiva acariciou o focinho de Velislava, uma das poucas partes do seu corpo avermelhado que não expelia fogo, e sussurrou. - “Ela é a única amiga que eu tenho.”

Carinhosa, a raposa de fogo respondeu, lambendo o rosto da menina. O gesto causou enorme surpresa em Klara, que, imediatamente, arregalou os olhos ao ver tamanha docilidade.

“Pensando bem, ela não parece ser malvada.” - disse, a pequena búlgara, que, enfim, teve a certeza que Velislava não era uma ameaça. Ela encheu-se de coragem e se aproximou, perguntando para Julia. - “O fogo não machuca ela?”

“Não.” - Julia respondeu. Convicta, garantiu. - “O fogo só machuca quem tenta fazer mau para ela.”

Embora mais calma, a menina de Gabrovo não conseguia desviar seu olhar de medo da raposa.

“Quer fazer carinho nela?” - perguntou, Julia.

“Eu acho que ela não vai deixar.”

“Ela vai deixar, sim.” - Julia insistiu, dizendo. - “Minha mamãe já sabe que você é minha amiga e que não vai me fazer mau.”

Klara, então, rompeu o medo e acariciou o focinho de Velislava, que respondeu, igualmente carinhosa, lambendo o rosto da menina.

“Sua mamãe é muito bonita!” - exclamou.

O que tinha por medo, rapidamente, se esvaiu. Klara, vendo-a de perto, se mostrou ainda mais impressionada com a pelagem de Velislava, que, em momento algum, parava de expelir fogo. A essa altura, os incontáveis balões coloridos que elas haviam visto no acampamento, aos poucos, iam desaparecendo, revelando um céu cor de abóbora e luminoso. Já era fim de tarde.

O tempo, mais rápido do que o habitual, parecia ter ritmo próprio e passou rápido.

“Está escurecendo.” - disse, Julia, à amiga, vendo o Sol se esconder nas montanhas. - “A gente vai para a minha casa e procura a sua vovó amanhã, o que acha?” - perguntou.

“Está bem.” - Klara aceitou.


CONTINUE ACOMPANHANDO A HISTÓRIA NAS PRÓXIMAS POSTAGENS.

Comentários

  1. Aí que lindo!
    Você como sempre arrasa no contos, Rob!
    Parabéns e saiba que sou sua fã.
    Klara é uma menininha encantadora, já me apaixonei por ela.

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    1. Obrigado, Cássia, volte sempre.

      Só não e um conto, rs, são partes de um livro publicado eem 2013.

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  2. Oi Rob,

    Como sempre seu texto está muito bem escrito, despertando a curiosidade na medida certa no leitor. A raposa, em geral, é um animal que me desperta alento, desde que li "O Pequeno Príncipe" a vejo com outros olhos. Então, sua história com essa personagem já me cativou logo de cara. O amor de "mãe e filha" pode estar presente em qualquer relação é isto é o mais lindo. Adorei!

    Beijos!

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    1. Obrigado, Alice, a história d'A Menina de Gabrovo têm muitos paralelos com a vida de qualquer menina.

      Que bom que adorou!

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  3. Oi Rob

    Seus textos são sempre maravilhosos. Adoro suas histórias, sempre muito bem escritas. Parabéns e muito sucesso. 😚

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    1. Obrigado, Gisele, bondade sua, kkk

      Volte sempre!

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